Equipe diversa em reunião assinando um acordo em mesa redonda

Construir acordos entre pessoas que pensam diferente nem sempre é simples. Em ambientes onde a diversidade é celebrada, de ideias, origens, culturas, criar um espaço de entendimento mútuo exige mais do que práticas comuns. Acreditamos que atuar de forma sistêmica é o caminho verdadeiro para equipes saudáveis, engajadas e capazes de inovar.

O que são acordos sistêmicos?

Acordos sistêmicos são pactos construídos em conjunto, levando em conta não apenas o objetivo final, mas cada pessoa inserida no contexto. Esses acordos respeitam os vínculos, a história e os padrões invisíveis que atravessam o grupo. Não se tratam de regras impostas, mas de construções vivas, ajustadas à realidade da equipe.

Equipes diversas trazem suas próprias bagagens. Por isso, um acordo eficaz não pode ignorar o sistema todo. Entendemos que ao considerar os sentimentos, crenças e expectativas presentes, aumentam as chances de o compromisso ser honrado.

Um acordo só é forte quando acolhe o que é dito e o que é sentido.

Por que equipes diversas desafiam a construção de acordos?

Quando falamos em diversidade, muitos pensam apenas sobre multiculturalidade. Nós ampliamos esse olhar. Diversidade vai além do visível: são experiências, estilos de comunicação, tempos de resposta, diferentes interpretações sobre o que é respeito e colaboração.

Não raro, já vimos situações em que pessoas sentem que “algo não encaixa”, mas não conseguem nomear o motivo. O desafio maior é dar espaço ao que não foi dito, respeitando sensibilidade e limites individuais. A construção de um acordo sistêmico começa reconhecendo as diferenças como parte fundamental do processo.

Passos para construir acordos sistêmicos entre diferentes

Nossa experiência mostra que acordos verdadeiramente sistêmicos seguem um caminho orgânico, mas podem contar com etapas claras. Mostramos a seguir um passo a passo prático, adaptando para o contexto de cada equipe:

  1. Mapear o sistema: Antes de sugerir qualquer compromisso, é preciso entender quem compõe a equipe e como as relações acontecem. Quem fala mais? Quem costuma ser ignorado? Como surgem os conflitos? Perceber o grupo como um sistema já é o primeiro acordo silencioso.
  2. Dar voz ao que importa: Reuniões de alinhamento com escuta ativa são fundamentais. Sugerimos perguntas abertas: “O que é importante para você em nosso trabalho?” ou “Que tipo de situação gostaria de não ver aqui?”. O foco é tornar visível o invisível.
  3. Coletar necessidades e limites: Outra etapa relevante é identificar as necessidades individuais e coletivas. Pedimos para o grupo dizer o que é negociável e não negociável. Um acordo só prospera quando respeita limites claros.
  4. Criar o acordo em conjunto: Com as diferenças compreendidas, escrevemos juntos os termos do acordo. Ele deve ser simples, objetivo e acessível, permitindo atualização quando preciso. O compromisso não nasce pronto: ele é resultado de trocas, adaptações e aprendizados mútuos.
  5. Avaliação constante: Acreditamos que um acordo não é estático. Reservar espaço para revisá-lo é fundamental. Mudanças acontecem, pessoas vêm e vão, e é desejável permitir ajustes.
Equipe reunida ao redor de uma mesa discutindo em ambiente moderno

O papel da escuta e do não dito

A comunicação é fácil quando todos concordam. Mas é nos ruídos que surgem as maiores oportunidades de crescimento. Escutar, de verdade, é dar espaço para incômodos, dúvidas ou inseguranças que ainda não apareceram à tona.

Sugestão prática: durante processos de construção de acordos, permuta de perguntas silenciosas, como “o que não foi falado?” ou “o que está estranho aqui?” abre espaço para percepções profundas. Muitas vezes, um olhar atento diz mais do que longas falas.

Pessoa anotando opiniões de colegas durante reunião de equipe

Como manter acordos vivos?

Já testemunhamos situações em que um acordo é feito com entusiasmo, mas logo cai no esquecimento. Para evitar esse cenário, o segredo está em manter o compromisso presente no dia a dia. Relembrar as regras que foram combinadas, celebrar avanços e abrir espaço para revisões periódicas são atitudes que reforçam o pacto estabelecido.

Criamos, em alguns contextos, painéis visuais ou lembretes digitais com os pontos principais do acordo. Outros times preferem iniciar reuniões perguntando se algo precisa ser ajustado no pacto anterior. O formato pode variar, mas o objetivo é o mesmo: garantir que o acordo siga vivo.

Acordos precisam de presença. Esquecer é romper.

Construindo espaços de confiança mútua

Para um acordo sistêmico ser sustentável, a equipe precisa confiar nos processos e uns nos outros. Fazemos isso valorizando pequenas entregas, reconhecendo quando algo não saiu como esperado e celebrando quando o grupo encontra soluções sem culpados.

Com o tempo, aprendemos que um ambiente de confiança não nasce pronto, ele é tecido a cada pequena conquista conjunta. Mas é através desses gestos que o grupo sente que pode ser ouvido, que seus limites são respeitados e que os acordos realmente funcionam.

Conclusão

Construir acordos sistêmicos em equipes diversas é mais que juntar regras. É forjar compromissos com o grupo, reconhecendo a riqueza e a complexidade de cada pessoa. Acreditamos que acordos vivos, que se adaptam e são nutridos pelo grupo, transformam ambientes conflituosos em sistemas mais saudáveis. Quando um acordo respeita o coletivo sem apagar quem cada um é, relações de confiança se fortalecem, conflitos dão espaço ao diálogo e as equipes se tornam ainda mais potentes.

O verdadeiro impacto de um acordo sistêmico não está apenas no papel, mas na experiência coletiva de crescer juntos enquanto respeitamos nossas diferenças.

Perguntas frequentes sobre acordos sistêmicos em equipes

O que são acordos sistêmicos em equipes?

Acordos sistêmicos são pactos criados de forma coletiva em um grupo, levando em conta não apenas regras e objetivos, mas também as necessidades, sentimentos, histórias e conexões de todos que compõem o sistema. Eles garantem que cada integrante se sinta visto e respeitado, tornando o compromisso mais autêntico e estável.

Como criar acordos em equipes diversas?

Começamos mapeando perfis, modos de comunicação e expectativas. Em seguida, promovemos conversas sinceras, convidando todos a compartilharem seus limites e necessidades. O acordo é escrito coletivamente e revisado de tempos em tempos, permitindo que evolua junto com a equipe.

Quais os benefícios dos acordos sistêmicos?

Eles favorecem o respeito mútuo, diminuem desentendimentos e promovem um ambiente seguro para a divergência. Uma equipe com acordos sistêmicos apresenta mais clareza, coesão e abertura ao diálogo, o que possibilita crescimento conjunto e relações mais saudáveis.

Quando aplicar acordos sistêmicos na empresa?

Recomendamos a aplicação sempre que um novo grupo se forma, quando mudanças de cenário pedem reposicionamento, ao surgir conflitos ou diante de objetivos ambiciosos. Equipes diversas, em especial, se beneficiam muito desses acordos.

Quais desafios existem ao construir acordos?

Entre os principais desafios estão dar espaço ao que não é dito, lidar com resistências, ajustar expectativas e respeitar o tempo de amadurecimento do grupo. Porém, com escuta ativa e disposição para ajustar o caminho, esses desafios se transformam em aprendizado para todos.

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Equipe Coaching e Estratégia

Sobre o Autor

Equipe Coaching e Estratégia

A equipe da Consciência Marquesiana é dedicada ao estudo e aplicação de abordagens sistêmicas que promovem maturidade, responsabilidade emocional e transformação social. Com um olhar atento para as dinâmicas invisíveis que influenciam escolhas individuais e coletivas, o grupo se aprofunda em temas como constelação sistêmica integrativa, psicologia, filosofia, meditação e valuation humano. Sua missão é trazer consciência integrada para promover impacto positivo em famílias, organizações e culturas.

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