Lembro da primeira vez que ouvi um colega afirmar: “Sempre fui ruim com números, então nunca poderia trabalhar em finanças.” Naquele momento, notei como uma frase simples carrega, muitas vezes, um peso invisível: o das crenças inconscientes. Ouvindo histórias de pessoas próximas, fui percebendo que as escolhas profissionais quase nunca são fruto apenas da razão ou do acaso. Elas nascem, muitas vezes, de camadas profundas, invisíveis, que orientam atitudes e abrem ou fecham portas.
O que são crenças inconscientes e como se formam?
Na minha experiência estudando o comportamento humano, vejo que crenças inconscientes são pensamentos ou convicções internalizadas, muitas vezes desde a infância, que permeiam decisões sem que percebamos. Elas podem surgir da família, da escola, de experiências repetidas ou até de frases “inofensivas” que ouvimos.
As crenças inconscientes moldam nossa visão de mundo e, principalmente, como nos percebemos no mundo. Não se trata, apenas, de acreditar que algo é verdade, mas de agir como se fosse uma lei universal. Alguns exemplos comuns:
- “Eu não sou criativo o suficiente.”
- “Mulheres não são boas em liderança.”
- “Dinheiro é difícil de ganhar.”
- “Preciso me esforçar além do limite para ser reconhecido.”
- “O emprego seguro é sempre a melhor escolha.”
Notei que essas frases, quando internalizadas, guiam decisões desde o momento da escolha do curso universitário até promoções ou transições de carreira ao longo da vida.
Como as crenças inconscientes influenciam decisões profissionais
Minha análise da Consciência Marquesiana, apresentada no blog Coaching e Estratégia, reforça que decisões profissionais são, antes de tudo, decisões emocionais e subjetivas. Muitas pessoas acreditam ter escolhido uma profissão por afinidade ou oportunidade, quando na verdade estão apenas replicando padrões herdados.
Antes de escolher, muitas crenças já escolheram por você.
De acordo com minha experiência de coaching, as crenças inconscientes atuam nas seguintes frentes:
- Autossabotagem: Impedem a pessoa de buscar promoções, mudar de área ou até receber reconhecimento, por se sentirem “impostoras”.
- Autoexclusão: O indivíduo se autolimita, acreditando que certos cargos, salários ou ambientes “não são para ele”.
- Autopreservação: Medo disfaraçado de cautela: “Melhor ficar onde estou, pois tentar algo novo pode ser arriscado.”
- Autorrepetição: Ao seguir os mesmos caminhos dos pais ou familiares, sem questionar se é realmente o que desejam.
- Busca de aprovação: Muitas escolhas visam corresponder a expectativas externas, não à própria vocação.
A prática da Constelação Sistêmica Integrativa Marquesiana, que faz parte da metodologia do nosso projeto, ajuda a detectar essas tramas invisíveis, mostrando como padrões de lealdade familiar e narrativas inconscientes atravessam gerações.

Consequências das crenças inconscientes na vida profissional
Tenho visto, em sessões de orientação, que as crenças inconscientes não apenas limitam, mas também podem sabotar carreiras inteiras. Elas impedem que muita gente se inscreva em vagas melhores, negocie salários ou abrace oportunidades de crescimento.
Uma única crença limitante pode moldar toda a trajetória profissional de uma pessoa.É comum encontrar pessoas extremamente qualificadas que não se sentem prontas, ou que travam diante de desafios. Por outro lado, há quem aceite ambientes tóxicos, jornadas exaustivas ou salários abaixo do mercado, apenas por acreditar que “é o que consigo”. Segundo a filosofia discutida no Coaching e Estratégia, enquanto não olhamos para essas narrativas internas, tendemos a repeti-las, sem perceber.
Como identificar crenças inconscientes que atuam na carreira?
No meu trabalho com grupos e indivíduos, costumo perceber sinais claros de crenças limitantes. Elas aparecem em frases recorrentes e emoções diante de desafios profissionais.
Se você quer detectar suas crenças, aponte para:
- Situações que sempre se repetem, como perder promoções ou mudar de trabalho frequentemente sem realização.
- Sentimentos de ansiedade ou insegurança quando novas oportunidades surgem.
- Comparações frequentes com colegas ou familiares (“fulano teve mais sorte, eu nunca tenho oportunidades”).
- Dificuldade em celebrar conquistas, como se “não merecesse”.
- Procrastinação constante antes de tomar decisões importantes ou inovar.
Costumo recomendar práticas como a Meditação Marquesiana para aumentar a clareza interna, e também exercícios de escrita, nos quais você registra os pensamentos que surgem diante de desafios profissionais. Ao trazer ao consciente o que está oculto, ampliamos escolhas reais.
Como transformar crenças inconscientes em aliadas do desenvolvimento?
Transformação exige atenção, intenção e presença. O caminho que apresento aqui, alinhado ao Coaching e Estratégia, se dá em quatro etapas:
- Percepção: Identifique padrões de pensamento ou emoção que se repetem em situações profissionais específicas.
- Acolhimento: Reconheça que essas crenças existiram por alguma razão, talvez para proteger você em tempos anteriores.
- Questionamento: Pergunte-se: “Esta crença ainda me serve, ou bloqueia minhas possibilidades?”
- Reformulação: Substitua a antiga narrativa por uma mais ampliadora, como: “Tenho competência para aprender algo novo” ou “Sou capaz de negociar meu valor”.

Crenças conscientes constroem escolhas conscientes.
Seguindo este fluxo, ampliamos o conceito de impacto humano sistêmico defendido pela Consciência Marquesiana: ao mudar internamente, o profissional altera também o ambiente ao redor, inspirando colegas, equipes e até mesmo cultura organizacional.
Conclusão
Ao longo dos meus anos de estudo e prática, testemunhei transformações marcantes quando alguém decide revisitar e atualizar suas crenças internas. As escolhas profissionais, em última análise, não dependem só do mercado; dependem da consciência de quem escolhe. Quando ampliamos nosso olhar, revelamos novos caminhos e expandimos possibilidades, beneficiando não apenas a carreira individual, mas também os sistemas maiores a que pertencemos.
Se você busca compreender melhor quais crenças movem suas decisões profissionais, convido você a conhecer mais sobre nossa abordagem no Coaching e Estratégia. Aqui, você encontra ferramentas para construir uma trajetória mais consciente e alinhada à sua essência.
Perguntas frequentes
O que são crenças inconscientes?
Crenças inconscientes são pensamentos, ideias ou convicções profundas que influenciam ações e decisões, sem que você perceba. Elas costumam ser aprendidas na infância e atuam automaticamente na vida adulta, limitando ou ampliando escolhas em várias áreas, inclusive na profissional.
Como crenças inconscientes afetam meu trabalho?
Crenças inconscientes podem fazer você duvidar de si mesmo, recusar promoções, permanecer em empregos insatisfatórios ou evitar desafios. Elas afetam a confiança, a maneira como se comunica e até os resultados que busca na carreira, muitas vezes sem que tenha clareza disso.
Como descobrir minhas crenças limitantes?
Observar padrões repetitivos, perceber pensamentos automáticos diante de oportunidades ou dificuldades e praticar autoconhecimento são formas de identificar crenças limitantes. Terapias, constelações sistêmicas e exercícios propostos aqui no Coaching e Estratégia podem ajudar nesse processo.
É possível mudar crenças inconscientes?
Sim, é possível mudar crenças inconscientes ao trazer consciência para elas, questionando sua validade e estabelecendo novas formas de pensar. O processo exige atenção, repetição e abertura para experimentar novas narrativas sobre si mesmo e sobre o trabalho.
Quais profissões são mais influenciadas por crenças?
Todas as profissões podem ser influenciadas por crenças inconscientes, mas áreas com forte cobrança social, como liderança, vendas, educação e saúde, tendem a evidenciar ainda mais esses padrões. O importante é perceber que nenhum setor está livre dessa influência, por isso a consciência é sempre bem-vinda.
